âMoluscos parecem seres felizes com sua concha protetora: escudo, esconderijo, disfarce. Inspirada nessa condição, fiz muitas vezes como se fosse um deles e brinquei de esconder, simplesmente desejando esquecer o caminho para a porta de saĂda da concha e nĂŁo deixando tambĂ©m ninguĂ©m e nada entrar.
IlusĂŁo. Mesmo fechando os acessos ao interior, permanecia uma...â
Sibélia Zanon, Espiando pela Fresta

ââ Tua resposta foi correta. Teu pai, depois da morte, serĂĄ espĂrito e alma. NĂŁo obstante, continuarĂĄ a ser o mesmo. A perda do corpo terreno nĂŁo modifica seu espĂrito e sua alma! SentirĂĄ por ti o mesmo amor como atĂ© agora, e tu tambĂ©m sempre te lembrarĂĄs dele com amor. â

Era um domingo Ă noite. Eu estava sozinha na sala, sentada no sofĂĄ, e jĂĄ ia levantar-me para cuidar de alguns preparativos para o dia seguinte. Mas, subitamente, fui surpreendida por um perfume: intenso, inebriante, incontornĂĄvel. Busquei na memĂłria e encontrei: âjasmimâ. Olhei para as persianas fechadas e me perguntei como aquele aroma as teria transposto; alĂ©m disso, de onde poderia provir, pois nĂŁo havia jasmineiros prĂłximos ao prĂ©dio. Ainda assim, o perfume era real, indubitĂĄvel â eu tinha certeza de que, em algum lugar, os jasmins existiam.
Meus pensamentos percorreram experiĂȘncias semelhantes, em que algo intangĂvel alcança a percepção, mas nĂŁo se consegue identificar sua origem, ou mesmo comprovar sua existĂȘncia. Um sentimento de afetoâŠ
